sábado, 16 de fevereiro de 2008

o riso dos sábios

rebentou um canhão na província. os camponeses procuraram não rir.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

no frio da noite

sem retirar o sobretudo, o homem sem olhar, voltou à rua e atirou-se na noite desaparecendo na encruzilhada das trevas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

atalhos caóticos

atravessas atalhos caóticos na memória vazia de afectos, salpicando pegadas enquanto as ásperas faces da multidão se refugiam na fealdade consumada do princípio uniforme da manada, na esparsa rede incontinente que ampara o precipício magnético e purificador.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

até ao fim das marés

o atrito da caneta do tempo soava sulcando o papel da vida. arrepiava no silencioso tombar do dia. a solidão, brutal e sanguínea, assomou às cinco da tarde de um dia qualquer. até ao fim das marés.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

profeta ateu

escreves como um profeta ateu.sem direcção absoluta.linhas tortas que entoam

sinaléticas mortais.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

numa noite de bonança

  • Um homem foi às traseiras da sua casa numa noite de bonança e se a cidade fosse no seu quintal teria visto toda a confusão da noite na palma das suas mãos.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Cloaca, a Fenda Fatal

Para quem asperge o sexo da mulher como a maravilha das maravilhas, lembro que a perfeição nesta magnífica e incompreensível obra de deus, o receptáculo da vida, podemos encontrar nós na galinha. A cloaca: sexo, concepção, micção e defecação na mesma fenda fatal. Desculpem-me mas o criador falhou na mulher por 3 centímetros... o que até dá jeito: dois buracos dão mais gozo do que um.

domingo, 28 de outubro de 2007

Um saxofone na noite

Ao longe, um saxofone geme milagrosamente entre a babuja da preia-mar. A brisa nocturna, sem devaneios, invadira os lugares obsoletos, mordiscando os pensamentos dos lampiões tímidos da rua.Uma centopeia, sem pernas, gritou na noite.
A noite pareceu mergulhar no vasto oceano, enquanto o saxofone se extinguia entre os barcos sem cais.

domingo, 21 de outubro de 2007

o corpo e a imortalidae

a imortalidade sem corpo é uma crença de cobardes.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

a mulher das tempestades bonanceiras

uma vez, quando a mulher das tempestades bonanceiras apareceu ao povo, perguntou-lhe quem era o responsável pelo fluir das bebedeiras dos passarinhos metamorfoseados em passarões com pele de lobo e sentimentos de cordeiro. a resposta foi vaga mas responsável:
- um homem foi às traseiras da sua casa numa noite de bonança e se a cidade fosse no seu quintal teria visto toda a confusão da noite na palma das suas mãos.
- está bem, disse um amigo de ocasião, e se os anjos fossem realmente bons? a resposta amputaria assim as memórias vazias?
a mulher das tempestades bonanceiras começou a mudar de cores e, quando se tornou amarelada, desapareceu deixando um imenso oceano de respostas nas mentes dos cobardes presentes.